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Como iniciamos nossa jornada empreendedora?

Atualizado: 22 de mar.

Descubra como fundamos a Trocados que depois de uns anos se tornou a Canvi - Soluções Financeiras.


Fundadores da Trocados (Canvi) em uma reunião em um Shopping Center em 2014. Fonte: Acervo Canvi.
Fundadores da Trocados (Canvi) em uma reunião em um Shopping Center em 2014. Fonte: Acervo Canvi.


Em 2014, surgia a empresa chamada Filigane Consultoria Estratégica, que realizava trabalhos de identificação de proposta de valor, criação de missão, visão, posicionamento, identidade visual, entre outros serviços.


Em meados de outubro do mesmo ano, eu tinha uma reunião de negócios marcada na praça de alimentação de um Shopping Center da cidade de Manaus (AM). Essa reunião até então era como uma outra qualquer, só que esse dia foi especial, pois foi o primeiro insight da criação da Trocados (Agora chamada de Canvi). Preparando-me para a reunião, decidi comprar barrinhas de chocolates para os meus clientes e entregar antes de começar a conversa. Fui até uma loja de chocolates, fiz todo processo de compra, escolhi o produto e na hora de realizar o pagamento em dinheiro (R$50,00 na época) a atendente disse que não tinha troco pra me dar e que não iria sair para trocar o dinheiro.


Fiquei chateado, pois estava com o dinheiro em mãos e não consegui comprar os produtos. Após esse acontecimento, já na mesa de reunião com meus clientes o insight surgiu e falei: “Porque a gente não faz algo para as pessoas receberem o troco das compras no celular?”. Meus clientes me olharam e perguntaram: “como assim?”. Eu não sabia o que poderíamos fazer, mas sabia que algo precisava ser feito. Começamos ali mesmo uma busca por mais informações a respeito da falta de troco no mercado. Precisávamos saber se era algo isolado ou se realmente era um problema que impactava outras pessoas. Um detalhe curioso, é que a pergunta feita, mexeu tanto com a gente que passamos a não priorizar o assunto da reunião e mergulhar no mundo do dinheiro trocado.


Na mesa estava o meu sócio e cofundador Amaike Keric (à época meu cliente), que possui formação acadêmica em Estatística. Nesse momento de início de um negócio inovador, juntamos as expertises e aplicamos no desafio. Realizamos pesquisas com mais de 60 estabelecimentos comerciais dos mais variados, como: supermercados, mercadinhos, drogarias, padarias e até mesmo feiras. Utilizamos duas pesquisas que fazem parte do Design Thinking: consumidor oculto e pesquisa contextual.


Precisávamos gerar o problema e, ao mesmo tempo, conversar com os operadores de caixa durante as compras. Para isso, fizemos um roteiro de entrevista com 4 perguntas norteadoras:

  • O que é feito para não faltar o troco dos clientes?

  • O que é feito quando falta o troco?

  • O que acontece quando as ações não funcionam?

  • Qual o sentimento dos clientes?


Esse roteiro nos auxiliou na abordagem. Utilizamos também um celular com a função de gravação acionada durante a compra.


A pesquisa funcionou da seguinte forma: comprávamos uma caneta com uma cédula de R$ 100,00. No momento da compra, os operadores de caixa começaram suas queixas a respeito da falta de troco. Era justamente o que queríamos ouvir. Ouvimos de tudo um pouco e, em alguns momentos, até de “graça” levamos os produtos. Descobrimos que existe um termo no varejo chamado de “quebra de caixa”, que é basicamente um valor que os operadores de caixa possuem para “perder” quando não têm o troco dos clientes. Isso acabou fortalecendo nossas hipóteses sobre o tamanho do problema para os varejistas.


Além disso, descobrimos que, para amenizar a falta de troco em seus estabelecimentos, eram realizadas várias atividades como: trocar com o picolezeiro (vendedor de picolé), trocar na igreja, trocar em um banco, fazer promoções, pedir para o cliente pegar depois, entregar um vale compras no valor do troco, entre outras alternativas.


A pesquisa de campo foi fundamental para a validação inicial do negócio que começava a surgir. Como ouvimos histórias e relatos que foram gravados pelos aparelhos celulares, precisávamos transformar as informações em dados e, depois, estruturar as respostas por similaridade. Dessa forma, conseguimos transformar as histórias em informações valiosas para validar o problema. Nas figuras a seguir, confira os resultados da pesquisa:



Pesquisa
Figura 1: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.


Pesquisa
Figura 2: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.


Figura 3: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.
Figura 3: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.


Figura 4: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.
Figura 4: Distribuição visual das respostas coletadas. Fonte: Acervo Canvi.

Com a validação das hipóteses em mãos, partimos para o desenvolvimento do negócio,

onde o primeiro grande desafio surgiu: não somos programadores e o negócio precisava de um aplicativo para funcionar. Começamos nossa busca por espaços na cidade que pudessem nos acolher. Basicamente, procurávamos um ambiente onde a inovação fosse valorizada e apoiada. Encontramos nesse período a Incubadora de Tecnologia e Inovação da Fucapi, instituição de ensino da capital amazonense. Submetemos a ideia para a incubadora e fomos aprovados. Começava nesse momento nossa jornada com os ambientes de inovação. Nesse período, tivemos contato com termos inovadores, com metodologias de criação de startups e passamos a conhecer atores do ecossistema de inovação.


Todo esse envolvimento gerou para a Trocados uma nova oportunidade, a submissão da ideia para um novo programa de subvenção econômica que surgia: o Sinapse da Inovação. O programa foi realizado pela Fundação Certi e contou com a promoção da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e do Governo do Estado. A iniciativa buscava ideias inovadoras no estado do Amazonas. Eles iriam premiar com R$50.000,00 (cinquenta mil reais) as 40 melhores ideias. Além do valor financeiro, o programa oferecia suporte aos empreendedores com conteúdos voltados para a criação e desenvolvimento de uma startup. O processo seletivo durou cerca de 6 meses e, no final de 2015, recebemos a informação de que fomos selecionados.


Esse momento foi um divisor de águas em nossa jornada empreendedora, pois, com essa subvenção econômica passamos a ter condições reais de desenvolver o negócio e colocar em prática o que vínhamos planejando. Isso, claro, além do apoio moral que ganhamos. Era a afirmação de que o negócio tinha potencial para impactar a vida das pessoas. Com o valor em conta, conseguimos contratar programadores para o desenvolver o aplicativo.


Esse desenvolvimento foi desafiador, pois ainda não existia no Brasil nada semelhante ao que estávamos criando. Inovação e pioneirismo estavam lado a lado. Dessa forma, não tínhamos certeza se o negócio de fato poderia ser utilizado pelas pessoas e pelas empresas.


Fundadores da empresa no dia do pré-lançamento em 2017. Fonte: Acervo Canvi.
Fundadores da empresa no dia do pré-lançamento em 2017. Fonte: Acervo Canvi.


Resolver o problema encontrado era nossa única certeza. Essa sensação de realizar algo que nunca foi feito e fazer história em nossa região foram combustíveis essenciais para a criação do negócio. Depois de meses estudando, validando hipóteses e desenvolvendo o aplicativo, a Trocados foi lançada na capital amazonense. O lançamento ocorreu em abril de 2017. De lá pra cá muita coisa aconteceu e você vai saber mais em novos artigos que serão publicados aqui.

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